Natal de 2025 deve trazer brilho às vitrines, mas especialistas pedem cautela

O comércio mantém expectativas positivas para o Natal de 2025, apoiado por pesquisas que indicam desempenho acima do previsto para o período. Ainda assim, entidades do setor avaliam que o otimismo deve vir acompanhado de prudência, especialmente diante do comportamento recente do consumidor e das oscilações econômicas.

Para entender melhor o cenário, a reportagem ouviu Fabiano Gonçalves, presidente da Federação das CDLs do Estado do Rio. Segundo ele, o Natal já não apresenta o mesmo impulso de anos anteriores — efeito direto da ascensão da Black Friday como principal motor de compras no fim de ano.

> “As vendas de Natal, de uns dez anos para cá, perderam tração por causa da Black Friday. É natural que o consumidor concentre gastos em novembro. Ainda assim, em relação ao ano passado, se houver crescimento, será muito próximo ao índice da inflação”, afirma Gonçalves.

O dirigente também demonstra preocupação com o panorama de 2026. O calendário incluirá dez feriados prolongados, além de Carnaval, eleições e Copa do Mundo — fatores que, combinados, tendem a impactar a produtividade de vários segmentos.

> “Será um ano atípico e difícil para o setor produtivo. Cada feriado beneficia alguns segmentos, mas grande parte da economia para. O país enfrenta uma dívida fiscal crescente e há uma pressão constante por arrecadação. É preciso atenção”, destaca.

Outro ponto sensível, segundo Gonçalves, é o nível de endividamento das famílias brasileiras — especialmente relacionado às apostas on-line. Ele cita que mais de 17 milhões de brasileiros já se declaram dependentes desse tipo de prática.

> “Esse dinheiro que migra para o mercado de apostas, muitas vezes pouco transparente, deixa de ir para o consumo. Basta observar o desempenho dos supermercados, importante termômetro das classes C, D e E. A sociedade está deixando de consumir para apostar”, alerta.

As considerações de Fabiano Gonçalves reforçam o sentimento geral do setor: há espaço para boas vendas neste Natal, mas o mercado exige atenção redobrada.